ARTIGOS

27/01/2009

Especial Globalização da Pecuária - Parte V



Cronologia 2008


Janeiro
A UE suspende por tempo indeterminado a importação de carne bovina brasileira. Os europeus indicaram que poderiam aceitar a carne de 300 propriedades. O Brasil havia indicado uma lista com 2.861 propriedades auditadas e consideradas conformes aos critérios de rastreabilidade exigidos pelo bloco.
Em nota divulgada pela imprensa, o governo classificou a medida como injustificada e arbitrária. O MAPA deixou de emitir o certificado Sanitário Internacional (CSI) para as exportações de carne bovina in natura para os estados membros da UE.

Fevereiro
O governo refaz a lista para 683 propriedades e negocia o formato da inspeção de fazendas brasileiras com permissão para exportar ao bloco europeu que a UE fará, a partir do dia 25. Ficam autorizadas a exportar 106 fazendas, sendo 87 em Minas Gerais, 11 no Rio Grande do Sul, quatro em Mato Grosso, duas no Espírito Santo e duas em Goiás.

Março
Criada uma comissão especial formada por parlamentares, técnicos e representantes da iniciativa privada para discutir novas normas para o Sistema Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov).

Abril
A UE faz apelo à OMC e ao Brasil para aplicar medidas de proteção sanitária de modo a encontrar uma solução definitiva para o comércio de carne. Existem 95 fazendas autorizadas pela inspeção européia para fornecer carne ao bloco. Os paises membros não abrem mão da permanência dos animais na área habilitada por 40 dias, e na última propriedade antes do abate por 90 dias.
Divulgado relatório da visita realizada em novembro pela equipe da Direção Geral de Saúde e Proteção do Consumidor, que aponta problemas de controle e adulteração no Sisbov.

Maio
A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) reconhece como regiões livres de febre aftosa o Distrito Federal e mais dez estados: Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe e Tocantins. Esses estados haviam perdido o status em outubro de 2005, diante do surgimento de focos de doença no Paraná e em Mato Grosso do Sul.
Realizada a 15° Reunião Interamericana em Nível Ministerial sobre Agricultura e Saúde. Dados da OIE mostram que 74,4% da América do Sul estão livres de aftosa com vacinação; 3,1% livres sem vacinação; 18,6% não-livres da doença, e 3,1% suspensos. Conseguiram status de livres da febre aftosa com vacinação, a partir de 2005, Peru, Colômbia, alguns estados do Brasil e duas áreas da Bolívia. A Bolívia, Venezuela e o Equador estão atrasados no cronograma do Plano Hemisférico para a Erradicação de Febre Aftosa (Phefa) acordado para o quadriênio 2005 a 2009.

Junho
O escritório de Alimentação e Veterinária da União Européia (FVO) atesta e comprova, mais uma vez, a Equivalência do Plano Nacional de Controle de Resíduos Contaminantes.
O Brasil encontra dificuldades para ampliar a listagem de 84 fazendas autorizadas para exportar carne para a UE. A relação anterior continha 95 propriedades. Três motivos são apontados: falhas no cumprimento das normas de rastreamento dos animais, insegurança devido às mudanças no sistema nacional de certificação e mercado interno aquecido, com preços altos.

Julho
Depois de três anos, a OIE volta a reconhecer o rebanho bovino de Mato Grosso do Sul como livre de febre aftosa com vacinação. Por sua vez, o Comitê Técnico da União Européia ampliou de quatro para 12 o número de propriedades de Mato Grosso habilitadas a exportar carne bovina in natura para o mercado europeu, de acordo com as normas da rastreabilidade.

Agosto
A lista das propriedades autorizadas a exportar carne bovina in natura para a Europa ganhou 60 novas unidades, e passa a totalizar 159 fazendas. Estima-se que mil estabelecimentos tenham solicitado auditorias.

Setembro
O número de propriedades habilitadas a exportar para a Europa chega a 252, distribuído nos estados de Minas Gerais (149), Mato Grosso (36), Goiás (33), Rio Grande do Sul (18), Espírito Santo (15) e São Paulo (1). No final do mês o número chegava a 329 fazendas.

Outubro
Segundo informações do Meat and Livestock Austrália, de janeiro a agosto de 2007 a 2008, o embarque de boi em pé passou de 516 mil para 550 mil cabeças na Austrália, e de 230 mil para 260 mil no Brasil. No ano, Austrália e Brasil deverão fechar com exportações, respectivamente, de 516 mil e 483 mil cabeças. Em 2006, esses números foram 516 mil e 432 mil.
A lista de propriedades autorizadas a exportar carne bovina in natura para o mercado europeu chega a 489 fazendas. Existem 4.300 unidades cadastradas no Sisbov. O ritmo de registro é considerado lento para o Brasil voltar aos números de exportação apurados antes do embargo.